Capitulo V .
Isso concerteza não era verdade, Victor tinha uma vida financeira estável, não precisava recorrer a esses meios. Minha irmã estava blefando, provavelmente para acobertar um desses amiguinhos suspeitos dela. O que essa garota tinha na cabeça?
Ela queria jogar, não era? Então, eu entrei no jogo.
-- Então prove!
-- Sim, amanhã à noite. – Disse.
•••
Acordei com uma inútil esperança de que aquilo houvesse sido um sonho, ou melhor, pesadelo.
E como você pode deduzir, não foi.
Levantei e corri para a janela ainda naquela esperança inútil, me inclinei para o lado de fora e vi o garrancho que aquele meliante havia deixado ontem à noite.
E lá se vai a minha esperança e o meu raro bom humor matinal.
Se eu acreditasse em sorte, estaria desesperada.
Chegando à escola, adivinhe com quem esbarrei?!
É, acertou!
-- Anne, e ai, já superou o medo de motocicletas? – perguntou Victor abrindo o portão da frente para mim.
-- Sim. – Foi só o que eu consegui dizer, com uma voz falha, confesso.
-- Dormiu bem?
-- Não. Olha Victor, minha aula já vai começar. Tchau.
-- Mas, ainda faltam 20 minutos.—Disse ele segurando meu barco com delicadeza.
-- Reforço em Física. — Disse, me soltando. Com a minha visão periférica pude vê-lo se inclinar para beijar o meu rosto. Corri meio desajeitada, como se estivesse fugindo de alguma assombração, e... De certa forma... Estava.
Chegando à minha sala, encontrei com Clara.
-- Nossa, Anne, o que aconteceu com você? Está tão pálida!
-- Nada.
-- Que seja. Olha só, esse sábado uma amiga minha vai fazer 18, ai meu irmão não vai. Quer ir comigo?—Perguntou ela de uma forma nenhum pouco pausada,
-- Você sabe que eu não gosto de festas.
-- Ah, vamos, não quero ficar lá sozinha.
Então, surgiu uma idéia brilhante (era isso que eu achava).
-- Eu vou se você me fizer um favor hoje à noite.
-- Qual? – Perguntou ela de olhos arregalados, afinal, eu não estava acostumadas a fazer esse tipo de acordo.
-- Nós vamos sair hoje à noite, quando eu souber o local eu te ligo. Tenta levar algum carro, com alguém que dirija, por favor, não se arrisque a dirigir!
-- Ta, eu peço ao meu irmão para ir com a gente. Mas eu quero saber, do que se trata?
-- Vamos seguir o Victor hoje.
-- Nossa, Anne, não sabia o quanto você era possessiva.
-- Não é nada disso que você está pensando, vamos segui-lo só isso.—Como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eu, definitivamente, estava perdendo a noção. Estava tão cega em saber a verdade, que não pude nem mesmo ouvir o que eu falava para Clara.
Chegando em casa, passei por minha mãe (que estava de folga naquele dia, não lembro porque), beijei Gustavo e fui ao quarto de Bianca.
-- Onde devo ir hoje? – Perguntei meio ofegante.
-- Vou anotar o endereço pra você, só um minuto. – Respondeu ela levantando-se ligeiramente da cadeira que ficava em frente ao computador, correu para a escrivaninha que se encontrava ao lado de sua cama, abriu uma das gavetas e pegou um bloquinho de papel e uma caneta, e então começou a escrever com movimentos rápidos.
-- Tome. – Terminou ela.
-- Valeu bia, te devo essa – Respondi.
-- Anne, tome cuidado, não se meta com essa gente – Disse.
-- Tá.
Fui direto para o meu quarto, joguei a mochila e o endereço na cama e fui tomar banho.
Saindo do banho, coloquei um blusão do meu pai e um short curto e largo; fui fazer meu almoço. A curiosidade me consumia, não conseguia parar de imaginar Victor praticando algo ilícito, mas a questão não era o que ele fazia, e sim porque eu estava tão interessada em saber o que ele fazia?
Bem, estava tão absorta em meus pensamentos que me esqueci de ligar para Clara perguntando se o irmão dela poderia nos levar.
[Dados sobre o irmão de Clara: Ele se chamava Benjamim (Ben, como você preferir) e era exuberantemente bonito, mas, naquele momento de total insensatez eu AINDA não havia percebido esse atributo.]
-- Alô, Clara? – Perguntei quando ouvi alguém atender o telefone.
-- Oi, amiga – Ela respondeu do outro lado.
-- Já falou com seu irmão? Bianca me deu o endereço, espera um pouco que eu vou pegar. – Corri e peguei o pedaço de papel em minha cama.— Pronto.
-- Ah, sim, ele falou que pode nos levar, mas ele precisa saber onde é e que horas, porque ele vai usar o carro do meu pai, o dele está na oficina.
-- ah sim, ele está aí?
-- Sim, vou chamá-lo. – Houve uma pequena pausa, então...
-- Anne. – Disse ele com uma voz suave.
-- Oi, Ben. Como você estar?
-- Para falar a verdade, curioso. Aonde vamos?
-- Av. Antônio M.
-- Ah, sim, sei onde é, mas esse lugar é barra pesada, o que você vai fazer lá?
-- Descobrir com que tipo de pessoas eu e minha irmã andamos.
-- Tá bom, passo ai às 21H?
-- Por mim tudo bem.
•••
Quando deu umas 20H comecei a me arrumar. Tomei banho e vesti um Jeans, uma Blusinha marrom com botões pretos que fechavam na frente e calcei meus velhos Tênis.
Lembro de ter falado algo com minha mãe sobre sair com Ben e Clara, eu só tinha que sair antes de meu pai chegar, se não o interrogatório iria começar.
Ouvi o Barulho da campainha e levantei para abrir a porta e pegar meu casaco.
-- Amiga, vamos. – Disse clara já me puxando para fora.
-- Tchau Mãe. – Consegui gritar por fim.
Corremos pelo jardim até chegar ao Palio prata do pai de Clara.
-- Vá no carona, é mais confortável atrás para mim.—Disse Clara abrindo a porta e já me empurrando ao banco da frente, logo abriu a porta de trás e sentou-se no meio.
-- Olá Anne. – Disse Ben.
Ben parecia mais um sonho do que a realidade. Ele tinha uma aparência suave, calma. Seus cabelos eram loiros puxados mais para marrom/mel, tinha a pele branca, mais ou menos da minha cor, o rosto lembrava ligeiramente o de Clara e os olhos eram de um azul intenso e perturbador que lembravam lagoas cristalinas.
-- Olá Ben, você está tão... Diferente.
-- Deve ser a idade, já faz um tempo que não nos vemos. Você também parece diferente para mim.
-- Chega de matar a saudade, já estar quase na hora que você falou, Anne – Interrompeu Clara, o interessante é que, naquela hora, da aula, eu não lembrava de quase nada que havia dito à Clara, inclusive o horário.




