Capitulo IV.

-- Não Brinca!

-- Nossa, como você pode ser tão irônica?

-- É um talento.

-- To sem parceiro de técnico. Aceita o convite?

Eu também estava sem parceiro e não conhecia ninguém ali, exceto Victor. Não seria nada demais.

-- Tudo bem, não conheço ninguém mesmo.

-- E então, aconteceu alguma coisa depois da aula?

-- Não, por quê?

-- Nada, só queria puxar assunto.

-- Você é ruim nisso.

-- Não, você que é difícil de agradar.

-- Você que não sabe me agradar.

A aula do técnico era sempre chata, mas, por algum motivo, aquela aula estava passando rápido.

E daí se ele tinha namorada? Amiga dele eu poderia ser.

Na hora do intervalo, o sol já estava indo embora. Estávamos sentados no pátio, em frente a nossa sala de técnico.

-- Você pretende fazer o que? Quero dizer, que faculdade deseja fazer? – Perguntei a ele.

-- Ainda não decidi, mas, devo virar engenheiro. E você?

-- Não faço a mínima idéia!

-- Nossa você me parece tão decidida, tão certa de si.

-- HaHa, fala sério. Eu? Decidida? – Não consegui conter o riso.

-- Sim, até intimida às vezes.

Decidi ignorar essa, mas não deu pra ignorar a minha curiosidade.

-- Quero te perguntar uma coisa— Falei com receio.

-- Pergunte.

-- Larissa... Vocês...

-- Ah, não, não. É complicado. Nós já namoramos, mas, não dá mais certo. O problema é a fazer entender.

-- E você?

-- O que?

-- tem... e-eh namorado?

-- Ah, não, também não.

E ai ficou aquele velho e clichê silêncio constrangedor.

-- Por quê? – perguntou ele após algum tempo.

-- Sou muito tímida. Não sei como essas coisas funcionam, é complicado demais pra minha capacidade de entendimento. E você? Por quê?

-- Gosto da liberdade. De não ter ninguém no meu pé.

-- Seu pai é dono daquela loja em frente a minha igreja?

-- Sim. Ele freqüenta a sua igreja, ele, minha irmã, minha mãe.

-- e você?

-- ah, não sou de igreja, tenho outros meios de me divertir.

-- Nossa, e quais são esses meios?

-- Você não vai querer saber.

Ouvimos o sinal e então voltamos pra aula. E mais uma vez ela passou rápido, quando percebi, já eram 19h00min e o técnico havia acabado, graças a Deus.

Eu só tinha aula do técnico três vezes por semana, e mesmo assim, era como se tivesse todo dia.

Saímos juntos outra vez, fomos em direção ao portão, mas ele desviou e foi em direção a moto, aquela bendita moto.

-- Quer carona?—Perguntou ele.

-- Não precisa, eu moro perto.

-- Eu te deixo lá, sobe ai.

-- a- aí não

-- Qual o problema com a minha moto.

-- ela quase me matou ontem.

-- Ah sobe ai, prometo ser prudente.

Pensei três vezes, subi na moto, toquei na cintura dele e o constrangimento foi inevitável.

-- Segure firme. —Falou ele.

E, então, partimos.

A moto percorreu a avenida em uma velocidade média, ele realmente estava sendo prudente. Quando chegamos perto da minha casa ele reduziu e então parou em frente a minha casa.

-- Está entregue!

-- Obrigado. – falei um pouco corada.

-- Se machucou? Este te faltando algo? Um braço, sei lá.

-- Não, engraçadinho. To bem.

-- Te vejo amanhã?

-- Sim.

-- Ok, então. Tchau.

Ele se aproximou para beijar meu rosto, me deixando mais corada ainda. Ele pareceu perceber o meu constrangimento e riu, disfarçadamente. E então, partiu.

Assim que entrei em casa meu pai estava sentado na poltrona vendo seu telejornal.

-- Olá, filha. Quem era o garoto que a deixou aqui? – indagou ele.

-- Um amigo.

-- Esse amigo tem nome?

-- Victor.

-- Já falei que não gosto que você ande em motos.

-- Pai, eu estou morta de cansada e queria chegar cedo em casa, então aceitei a carona.

Ele se calou e eu fui em direção ao meu quarto, passei por minha mãe e beijei a.

Sentei no computador, chequei meus e-mails e desliguei o computador. Tomei banho, vesti um moletom e fui fazer algo para jantar.

Bianca estava na cozinha brincando com Gustavo.

-- Pedro não é? – Brinquei.

-- o que tem ele? – ela respondeu.

-- Nada, ué.

Ela revirou os olhos, pegou Gustavo e saiu batendo o pé. Dei de ombros.

Resolvi fazer um macarrão instantâneo e assim que acabei fui dormir.

Acordei no meio da noite com um barulho vindo da minha janela. Quem estaria me chamando a essa hora? O único que tinha essa mania era John, mas ele nunca me chamara a essa hora. Quando abria a janela, dei de cara com um garoto de toca e blusa preta. Pichadores. Gritei o mais alto que pude e ele saiu correndo. Bianca correu para o meu quarto.

-- O que aconteceu? – Ela perguntou.

-- Tinha um acéfalo pichando a minha janela. Vou chamar o papai e a mamãe.

-- Não!

-- Por quê? E se ele voltar?

-- Ele não vai voltar Anne. Por favor, me prometa que não vai contar ao papai e nem a mamãe.

-- Por que eu não contaria? Você o conhece?

-- Era Pedro.

-- Mas com que Diabos de pessoas você anda se metendo?

-- Olha quem fala.

-- Como assim? Não conheço ninguém desse nível e você podia seguir meu exemplo.

-- Não anda é? E o que você diz de Victor?

-- Como assim? Ele é meu amigo.

-- Ele é de gangue, Anne. Marginal. E Eu tenho como provar.

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