Capítulo I.

Enquanto tomava coragem pra me levantar da cama, minha mãe entrava no quarto e puxava a minha coberta como sempre fizera desde a sexta série.

-- Acorda Bela Adormecida! Chegou o grande dia!

-- Que grande dia, mãe? É só o primeiro dia de aula, cadeia, tormento, como preferir.

-- Ah, filha... Você tem que se enturmar conhecer outras pessoas, ter mais amigos.

-- Ah, para mãe! Como se VOCÊ fosse à pessoa mais normal do mundo.

-- A questão não sou eu e sim você.

-- Eu já to acostumada com a minha vida, então, por favor, deixe como está!

-- Levanta você já está atrasada.

Levantei-me, entrei no banheiro. A água quente tocou minha pele, relaxando meus músculos. Senti-me melhor após o banho, me arrumei no banheiro mesmo e então, saí para o café. Sentei-me na mesa, tomei o café, e saí de casa.

Era uma manhã normal de inverno, os termômetros marcavam 16°C. Oh, Deus, como era possível estar tão frio no estado do Rio de janeiro?! Pensei que este fosse um país tropical, mas não era isso o que parecia.

A Escola Técnica Lima Meneses era enorme, mas com apenas 368 alunos no turno diurno. Todos se conheciam. A escola havia sido fundada em 1977 pela família do diretor Álvaro Lima e ficava a dois quarteirões da minha casa. A minha única e fiel amiga me esperava no portão, com uma cara nenhum pouco animada.

-- Está atrasada, como sempre!

-- Clara, que saudade!

A cara desanimada desapareceu, dando lugar a um sorriso largo.

-- Também senti sua fala, Anne.

-- e ai? Como foram as férias, Clara?

-- Ótimas, e as suas?

-- Ótimas, também. Foi maravilhoso ficar fora desse hospício por alguns meses.

Conversamos pelo caminho até a nossa nova sala: ‘2º ano B’. A primeira aula era a de trigonometria, a segunda de inglês, a terceira de álgebra e, enfim, o recreio.

Na hora do recreio, estávamos no parque, sentadas nos balanços com nossos refrigerantes e biscoitos. Falávamos sobre as férias de Clara, ela contava que fora para o Ceará e que tinha ficado com um cara lindo. Eu realmente estava prestando atenção na história, até que um barulho ensurdecedor chamou minha atenção. Moto. O barulho estava cada vez mais perto. Era uma moto preta, radiante, perfeita, do tipo que só aparece em filmes; e em cima dela, estava um louco sem capacete. Pulei do balanço com toda a agilidade que eu pude, mas não foi o suficiente. Cai, e cai feito.

-- Desculpe, não consegui parar. – Falou o louco.

Não consegui responder, a minha vontade era de matá-lo. Eu estava tonta. Clara estava paralisada no outro balanço.

-- Cara, você ta péssima! Tem um buraco enorme na sua testa. Você ta horrível! –Continuou o louco.

-- Se ta tentando se desculpar é melhor calar a boca! – Finalmente respondi.

-- Ah, foi mal. Vamos, eu vou te levar pra enfermaria.

-- Ah, que isso, eu sei o caminho. Clara, diz ao professor de filosofia que eu vou me atrasar.

-- Ok! – Respondeu Clara e logo depois saiu correndo.

-- Então ta! Boa sorte com as escadas sua estranha.

-- Valeu, e vê se presta mais atenção seu louco!

Andei até o primeiro degrau. Tropecei. Graças ao louco que me segurou eu não cai.

-- A propósito, o meu nome é Victor!

-- E o meu é Anne. Desculpe, não posso dizer que foi um prazer conhecê-lo.

-- Entendo. Pra falar a verdade... nem eu.

Cheguei na enfermaria. Era ótimo começar o ano letivo com um curativo na testa, era o que toda garota queria.

Victor era alto, tinha a pele morena meio avermelhada, os cabelos e os olhos pretos, um corpo grande e definido. Perdi tanto tempo na enfermaria que só depois -- quando toda aquela agitação teve fim – percebi que ele era bonito, muito bonito.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS
Read Comments

2 comentários:

Anônimo disse...

Gostei mt desse 1º Capítulo amiga, qndo terá o proximo????

Unknown disse...

cadê o segundo? _)_

Postar um comentário